É preciso levar a esperança do Natal cristão às pessoas e às instituições nas situações concretas da vida

1. Saudações fraternas em Jesus que nasceu para nos salvar. 

Desejo a todos os batizados, a viver o desafio do seu Batismo como caminho de santidade, a todos os cristãos, testemunhas de Cristo, e a todas as pessoas de boa vontade da nossa Diocese de Viseu a alegria da fé cristã. 

Votos de um Santo Natal de Jesus a todos os que de um modo ou outro contemplam na quadra natalícia o “Sinal Admirável”, que nasceu no presépio de Belém, no seio de uma família. Veio para ensinar a todos o valor e o significado da verdadeira vida, mas também a autenticidade da espiritualidade cristã, pois Ele nasceu para ser o Salvador do mundo. 

Em Jesus, Maria e José e na luz que brilha na humanidade a partir da noite santíssima de Belém, saúdo as famílias, as crianças, os jovens, os casais jovens, os adultos, os idosos, os pobres, os doentes, os frágeis, os abandonados, os emigrantes, os imigrantes, os refugiados, os perseguidos, os presos, os marginalizados e todos aqueles que, como o Menino Jesus em Belém, se sentem rejeitados, explorados e utilizados pela nossa sociedade ou até pelos próprios cristãos.

2. A esperança do Advento numa nova humanidade manifestou-se em Belém, quando Deus se encontrou verdadeiramente com o homem para o salvar e o libertar dos seus medos. A alegria messiânica não é uma utopia; ela chega ao coração de um povo que esperava o Messias. Este tempo de esperança sensibiliza os cristãos para viverem a sua vocação e a sua espiritualidade cristã centrada na pessoa de Jesus Cristo. 

A comunidade humana atual encontra-se mergulhada na indiferença de Deus, na falta de relação com o próximo, nas trevas do desânimo e da falta de confiança, opondo-se à solidariedade desejada por todos e que é uma marca positiva do Natal. A abertura à partilha com os que mais precisam deve dar respostas novas à solidão existencial, ao enigma perante a dor, o sofrimento e a morte, ao abandono e exploração dos filhos na família, às negligências perante situações emergentes e de fronteira, onde se decide o valor primeiro e sagrado da vida. 

Precisamos de cristãos que vivam e testemunhem os princípios de uma Doutrina Social da Igreja, que tarda em chegar a setores básicos e importantes da nossa sociedade. É preciso olhar com esperança e firmeza para setores fundamentais da nossa sociedade. O Estado precisa de distribuir com maior justiça os seus recursos para todos: para o emprego; para as instituições particulares de solidariedade social, de forma que não se exclua ninguém; precisa de olhar para o mundo da saúde de modo positivo, não excluindo ninguém na prestação dos cuidados; promover e estender as redes de cuidados continuados e cuidados paliativos a todo o país e com acesso aos mais necessitados; é preciso cuidar dos cuidadores e incentivá-los a um serviço que os realize. Que se passe da degradação do SNS para uma verdadeira qualificação técnica e humana da prestação de cuidados.

3. O Natal é o tempo por excelência da Palavra que Encarnou no seio de Maria, convite a gestos novos do serviço, do cuidado e da solidariedade. Apelamos a todos para fazer surgir, neste Natal, gestos novos, para que o presépio se torne cada vez mais uma lição de humanismo na família, na escola, no mundo da saúde e nas outras instituições que têm a responsabilidade de fazer da humanidade “um Sinal Admirável” de Deus. 

O Mistério escondido deu-Se a conhecer através do nascimento de uma criança; cumpriu-se a profecia e o Salvador prometido, o “Príncipe da Paz”, entrou no mundo criando uma relação nova e definitiva entre Deus e os homens. A humanidade recebe a vida e esta brilha sobre as trevas, fazendo renascer no mundo, caduco e efémero, a verdadeira vida.

4. Que os Direitos Humanos e os desafios do Cristianismo feitos à humanidade, há mais de dois mil, suscitem o nosso cuidado comum pela mãe terra, que diante do frio de uma noite escura, no mistério do Natal de Jesus, recupera o equilíbrio da própria natureza, dando origem a um novo dia. 

O direito humano a nascer encontra no contexto histórico atual pouca expressão de acolhimento, onde a indiferença social rejeita Jesus, não o recebendo na hospedaria da cidade de Belém; nascendo como um sem abrigo num estábulo de animais. 

Eis a mensagem do primeiro presépio, o “Sinal Admirável” (Papa Francisco) entre Deus e os homens, em que Maria deu à luz o seu “Filho Primogénito”, recolhendo-o com São José, o seu esposo fiel, varão justo, pai adotivo de Jesus.

5. Cada ano celebramos na fé este acontecimento salvífico e descobrimos que tudo se renova no mistério do Natal de Jesus. É neste contexto que tem sentido, como cristãos em família, celebrarmos o Natal, fazermos o presépio, partilharmos a vida, oferecermos prendas, reunirmo-nos à volta da mesa, celebrarmos a consoada e colocarmos Jesus no centro das nossas vidas. Este é o Natal cristão, o nascimento de uma criança, que, com a sua vida, enriquece a família e torna-se um tesouro para todos. 

Precisamos de recuperar o verdadeiro espírito do Natal, solidário e integral, humano e cristão, para construir o verdadeiro presépio no mundo atual e contemplar Jesus como “Sinal Admirável” do amor Criador de Deus.

6. Ao olhar com esperança para as nossas comunidades cristãs, continuamos a constatar o flagelo da desertificação do interior do país, o envelhecimento da população ativa, a solidão dos idosos, a falta de esperança, de confiança e de fé de muitos jovens, também eles preocupados, a não fixação de casais jovens nas nossas comunidades com trabalho produtivo, a baixa densidade na natalidade, o adiamento da mesma, a dificuldade de acesso aos cuidados de saúde, o trabalho precário para muitos, a chegada de imigrantes de várias partes do globo, a insegurança e a insatisfação de muitos, a falta de respeito pela vida e integridade, a violência global crescente. Tudo isto preocupa a Igreja e todas as pessoas de boa vontade. A saída dos jovens e pessoas qualificadas das nossas comunidades, que por causa da crise económica tiveram da abandonar o país, deve levar a Igreja e os responsáveis do governo a olhar com verdade e discernimento tão grave problema.

7. O espírito de responsabilidade nos leve a todos a promover uma verdadeira cultura da vida, uma economia sustentável, a criação de um novo estilo de sociedade, de famílias abertas à vida, que promovam uma paternidade e maternidade responsável; de governantes amigos do seu povo, conscientes, responsáveis, com credibilidade, que promovam políticas sadias de justiça, de bem comum, de natalidade, de emprego, de cuidado dos idosos e dos doentes, através de boas práticas, de boas redes de cuidados continuados e paliativos para todos. 

Precisamos da pacificação dos povos entre si, para que promovam a salvaguarda do clima e do meio ambiente, com políticas corretas e atuais. Que se empenhem todos nesta causa urgente, da qual depende o equilíbrio da natureza e da humanidade. 

Com votos de um Santo Natal para todos, peço a Jesus, Maria e José, que, com a sua pobreza, simplicidade e humildade nos enriqueçam com os seus dons. Esperamos que o Novo Ano de 2020, nos traga muita paz e alegria, responsabilizando-nos como cristãos amadurecidos na fé a sermos a verdadeira Igreja de Jesus Cristo. 

† António Luciano, Bispo de Viseu

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