XXXII Domingo do Tempo Comum
Damas de honor, azeite e um coração vigilante….
Caros Irmãos, nos tempos que correm é muito frequente nos casamentos
usarem-se as damas de honor. Ora, apesar de olharmos para elas como
algo bonito para o figurino, ou como uma moda inútil, podemos acreditar
que muitas das noivas que optaram por ter damas de honor encontraram
no Evangelho deste Domingo algum fundamento. Ainda dentro da
linguagem dos casamentos, vemos neste relato evangélico uma certa
justificação sobre os atrasos que estas circunstâncias especiais, como um
casamento, podem provocar.
Mas, vamos por partes: que significam estas virgens e por que é que desta
vez é o esposo a não chegar a horas? A resposta a estas perguntas
encontra-se na Igreja, nessa Igreja a que todos nós, batizados,
pertencemos. Essa Igreja que é essa esposa que espera o seu Senhor, que
é Cristo. Ele vem quando menos se espera, porque o seu tempo não é o
nosso e daí a paciência da donzela e das suas companheiras. Elas sabem o
porquê da espera e a importância da mesma. Elas sabem que a sua vida
depende desse grande momento que é o encontro com Deus.
Não será que connosco acontece da mesma forma? Também nós
andamos à procura desse encontro transformador. Do encontro que nos
permite encontrar-nos com Deus e esclarecer aquela dúvida, tal como
dizia Mitterrand quando lhe perguntavam o que diria a Deus quando se
encontrasse com ele no céu, ele responde dizendo: “finalmente, já sei”. É
este “finalmente” que faz ganhar as forças para poder acreditar e
permanecer esperando a vinda do Senhor Deus.
Mas se até aqui percebemos quem espera, por que espera e a quem
espera, o texto dá-nos algumas pistas mais sobre nós, ou seja, sobre as
damas de honor que esperam o Senhor. Diz-nos que eram 10 virgens, das
quais 5 eram prudentes e 5 eram insensatas. Diz-nos, ainda, que quer as
insensatas quer as prudentes tiveram a mesma reação face à demora do
esposo, que foi adormecer. A mudança ocorre quando chega o esposo. As
insensatas esquecem-se das reservas de azeite nas suas lâmpadas e
correm o risco de não poderem acompanhar o esposo. Esta atitude
mostra que todos nós estamos sujeitos a não conseguir esperar os Senhor
despertos. Jesus sabe a dificuldade que é manter-se vigilante e, por isso,
insiste que todas ficaram rendidas ao sono. Quem de nós pode dizer que
não passou horas e dias de descuido, de esquecimento da vinda do
senhor? Mas isso não significa que não O possamos alcançar. O sono do
cansaço é normal de quem vigia o seu Senhor, como aconteceu às virgens
prudentes. O que realmente pode correr mal é se não estamos
preparados, ou seja, se nos deixamos estar relaxados, confiando nas
nossas próprias seguranças.
Assim, quando o grito do esposo rompe o silêncio da noite, com a sua
chegada, todas as virgens que estavam adormecidas acordam do sono e
preparam as suas lâmpadas. Mas as imprudentes, vendo que não tinham
azeite suficiente, foram pedir às prudentes um pouco do azeite delas. E
estas negaram-lho. “Talvez não chegue para nós e para vós”. Será esta
uma atitude egoísta? Ou uma falta de caridade? Não! Simplesmente este
azeite pertence a cada um de forma pessoal. Ninguém nos pode
proporcioná-lo. É o azeite do desejo de encontrar-se com o Senhor. Cada
um de nós conhece (ou deveria conhecer) a sua própria verdade, a
verdade mais profunda, aquela verdade que mantém o coração desperto,
ou ao contrário, aquilo que nos apaga da espera do Senhor. Todos os dias,
bons e maus, velando ou dormindo – eu durmo, mas o meu coração vigia.
Somos responsáveis por renovar as nossas reservas de azeite, de forma a
que o nosso coração arda com o desejo do verdadeiro encontro com Deus.
Mais do que esperarmos a descrição do juízo final neste Evangelho, vemos
a discrição do juízo diário, ou seja, vemos a forma como devemos estar
preparados para este encontro com o Senhor que se dá todos os dias
neste tempo que é pura graça.
Não nos esqueçamos de ser estas damas de honor prudentes que,
juntamente com a Igreja, esposa de Cristo, esperam o seu Senhor. Só nos
cabe a nós escolher em que grupo queremos estar. E prestemos real
atenção porque, apesar de tudo, as jovens insensatas também sabiam
bem o que era necessário, tanto que acabaram por ir à porta do
banquete. O problema é que chegaram tarde e a más horas. Não
deixemos para a última. Perguntemo-nos diariamente como estão as
nossas reservas de azeite? Um dia de descuido pode ser tarde e a porta
pode fechar-se e o noivo não nos conhecer. Não deixemos que a nossa
vida Cristã seja marcada pela insensatez. Preparemo-nos para o
imprevisto, tenhamos um Plano B. Não deixemos que a descontração se
transforme em distração e as oportunidades para este encontro com Deus
sejam adiadas.
Por fim, deixo-vos um conselho pessoal: quando acharmos que temos a
nossa reserva de azeite cheia, desconfiem, pois pode ser um sinal de puro
convencimento da nossa própria insensatez. A reserva é sempre pouca
para aquilo que Deus tem para nos oferecer no seu banquete.

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