Tomando a figura bíblica do profeta Jonas como figura paradigmática da necessária conversão espiritual, pastoral e missionária, percorremos o caminho da Quaresma à Páscoa como uma viagem de quarenta dias (Jn 3,4), que nos leva, de cais em cais, num caminho de saída e com saída, ao encontro reconciliador e renovador com “Cristo, porto da misericórdia e da paz” (Prefácio da Quaresma VI).

Jonas vivia tranquilo e sereno, com ideias muito claras sobre o bem e o mal, sobre como Deus age e sobre o que Deus quer em cada momento; sobre aqueles que são fiéis à aliança e os que não o são. Tais certezas levaram-no a delimitar, com muita rigidez, os lugares onde deveria profetizar. Jonas tinha a receita e as condições para ser um bom profeta e continuar a tradição profética na linha do cómodo critério pastoral do “fez-se sempre assim” (EG 33).

 

Rapidamente, Deus frustrou a sua organização, os seus planos, irrompendo na sua vida como uma torrente, tirando-lhe todo o tipo de seguranças e comodidades, para o enviar à grande cidade a proclamar o que Ele mesmo lhe dirá. Era um convite a atravessar, a ir mais além, a ultrapassar o limite das suas fronteiras, a ir à periferia: Nínive, “a grande cidade”, era o símbolo de todos os extraviados, afastados e perdidos. A Jonas foi confiada a missão de relembrar àquela gente, tão perdida, que os braços de Deus estavam abertos, esperando que voltassem para os curar com o Seu perdão e os alimentar com a Sua ternura. Mas isto praticamente não encaixava em tudo o que Jonas podia compreender e, por isso, ele fugiu. Deus mandava-o a Nínive e ele fugia em direção contrária, para Társis, lá para os lados de Espanha. Também Jonas precisa de conversão.

O itinerário quaresmal, com os seus quarenta dias, pode encontrar na figura, na mensagem, no percurso e na própria conversão de Jonas, um evidente e especial significado de urgência de salvação, de necessidade imperiosa de arrepiar caminho, pessoal e pastoral, no sentido missionário de fazer chegar a todos a alegria do Evangelho, com a oferta e na esperança da misericórdia divina.

Sugerimos, como imagem desta caminhada, o leme de um navio, recordando a aventura de Jonas e o próprio Cristo, que é mais do que Jonas; é Ele o Homem do leme, que não nos abandona nesta travessia (Mt 8,23-27; Mc 4,25-41; Lc 8,22-25), e que nos abre, a partir do encontro reconciliador com Ele, o porto da misericórdia e da paz. Como escreveu o Papa Francisco, na rede social Twitter, no passado dia 30 de janeiro: "O segredo para navegar bem na vida é convidar Jesus, para entrar a bordo. O leme da vida deve ser posto nas Suas mãos, para que seja Ele a guiar a rota".

Sugerimos que, semana a semana, seja sinalizado no leme o respetivo cais de embarque, de partida, de chegada, de conversão e de ternura… até chegar ao “porto da Paz”.

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